Mégane R.S. 275 Trophy

Não foi feito para andar devagar. Detesta estar parado num semáforo vermelho ou numa fila de trânsito. Tem o condão de alternar sorrisos de prazer com expressões de pânico. A nova série limitada do Mégane R.S. dá pelo nome de 275 Trophy e produz uma massa de ar quente.

Nos últimos quatro anos, a Renault tem lançado no mercado, ao ritmo de uma por ano, séries limitadas para o Mégane R.S. Tudo começou em 2011 com o Trophy. Seguiu-se-lhe os Red Bull Racing RB7 (2012) e Red Bull Racing RB8 (2013). Agora, foi a vez do 275 Trophy.

Comercializado em 20 países (Portugal incluído), oferece mais 10 cv do que o Mégane R.S. “normal”, dispõe de uma decoração mais exuberante, conta com escape Akrapovič, é vendido com pneus específicos e recebeu molas e amortecedores derivados da competição. Para o nosso país, estão disponíveis 11 unidades, incluindo a que figura nestas páginas, que pertence ao importador da marca francesa e ostenta o N.° 0007.

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Febre amarela
Vistoso, musculado, apelativo. A cor amarela não só provoca febre a quem a observa, como assenta-lhe muito bem. Face ao Mégane R.S. “convencional”, a série limitada 275 Trophy distingue-se pela lâmina dianteira em cinzento platina com sticker “Trophy”, pelo stripping lateral “Trophy” também em cinzento platina, pela placa numerada e dotada da inscrição “Trophy” nas soleiras das portas, pela linha de escape Akrapovič em titânio e pelas jantes “Speedline” pretas de 19” com onze raios.

O deflector no topo do óculo posterior, o difusor traseiro, as luzes diurnas de LED, as pinças de travagem vermelhas e o preto lacado aplicado nos puxadores das portas e nas caixas dos retrovisores são os restantes adereços que completam o visual apelativo.

Por dentro, o Mégane R.S. 275 Trophy também transpira agressividade por todos os poros. O volante de três braços em “mousse”, com costura vermelha no ponto “0”, tem uma pega excelente. Os bancos Recaro revestidos em pele e Alcântara, decorados com costuras vermelhas e logótipo Renault Sport, proporcionam um encaixe perfeito.

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Os pedais e apoio para o pé esquerdo em alumínio, o conta-rotações com fundo cinzento, o grafismo branco dos mostradores, o punho da caixa Zommac, as inserções a imitar fibra de carbono nas portas e tablier e os cintos de segurança e friso do tablier de cor vermelha, traduzem toda a vocação do melhor Mégane de produção em série da atualidade.

Ao posto de condução ótimo, junta-se uma qualidade convincente, um espaço interior de bom nível e uma bagageira que oferece um volume amplo, ainda que dificultado pela elevada altura do pára-choques. Além do teto panorâmico em vidro (fixo), apenas a câmara de marcha-atrás e o pneu sobressalente de dimensões reduzidas (substitui o kit de reparação de furos) consistem nas únicas opções disponíveis.

Street racer
Para além da imagem, do estatuto e das aptidões dinâmicas, outro dos ex-líbris do Mégane R.S. 275 Trophy diz respeito ao R.S. Monitor 2.0, anunciado como o mais completo sistema de telemetria montado de fábrica num automóvel de produção em série. Ao estar incorporado no R-Link (tablet que dispõe das funções multimédia, navegação, rádio, telefone, audiostreaming Bluetooth, entradas para aparelhos portáteis e serviços online), o R.S. Monitor 2.0 beneficia da amplitude conferida pelo ecrã de 7” em 3D, operado através de comando tátil ou do joystick colocado na consola central. 

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Os grafismos, as cores, mas também as múltiplas informações e funções, marcam uma evolução em relação à anterior versão do R.S. Monitor. Basta premir o botão que tem uma bandeira de xadrez para ter-se acesso a uma panóplia de informações. Como se de um jogo de consola se tratasse. Eis algumas: temperatura da água, do óleo do motor e da caixa de velocidades; binário; potência; admissão do ar; combustível; ângulo do volante; pressão do turbo; diagrama “G”; funcionamento do diferencial; cronómetro.

Mas o que torna este modelo tão especial são as suas aptidões dinâmicas. A começar nas performances explosivas do motor turbo de 2,0 litros com 275 cv e acabar no pack chassis Cup, que integra diferencial autoblocante. Passando, claro está, pela sonoridade viciante da linha de escape em titânio (desenvolvida pela Renault Sport em parceria com a Akrapovič), pelos travões Brembo e pelos amortecedores Öhlins Road & Track de uma via (reguláveis), que trabalham em íntima colaboração com molas em aço. Uma evolução técnica que deriva da competição, mais concretamente do Mégane N4.

Com uma estabilidade digna de elogios, o Mégane R.S. 275 Trophy tem aderência e motricidade excecionais. A direção é precisa e comunicativa, permitindo notáveis inserções do eixo dianteiro em curva. Quanto aos travões, são eficazes. O comando da caixa? Rápido. E a suspensão extremamente firme faz com que se sintam todas as pedras. O Mégane R.S. 275 Trophy é dos melhores desportivos de tração dianteira que existem. Mesmo à chuva. O botão R.S. permite selecionar o controlo de estabilidade para o modo Sport ou até mesmo desligá-lo.

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Continental ContiSportContact 5 P: Tecnologia Black Chilli
Em vez de estar equipado com uns Pilot Sport Cup 2, desenvolvidos pela Renault Sport em parceria com a Michelin especificamente para este modelo, o Mégane R.S. 275 Trophy que a REVISTA DOS PNEUS testou vinha “calçado” com uns Continental ContiSportContact 5 P. Dotado de blocos centrais sólidos e assimétricos, recorre a ombros exteriores flexíveis que, em conjunto com esses blocos centrais rígidos, asseguram uma adaptação perfeita do pneu à superfície da estrada.

Outro dos seus ingredientes diz respeito à tecnologia Black Chilli: composto especialmente desenvolvido com recurso a um tipo de carbono negro utilizado na competição. O que assegura um processo de aquecimento rápido e uma elevada estabilidade. Os polímeros do composto estão reforçados com nanopartículas, tornando-os extremamente flexíveis. Além disso, proporcionam mais pontos de contacto com a estrada, melhorando a aderência e a estabilidade. Adicionalmente, resinas especiais de aderência tornam ótima a ligação ao piso seco e molhado, permitindo distâncias de travagem mais curtas.

Ficha Técnica

MOTOR
Tipo: 4 cilindros em linha, transversal, dianteiro
Cilindrada (cc): 1998
Diâmetro x curso (mm): 82,7x93,0
Taxa de compressão: 8,6:1
Potência máxima (cv/rpm): 275/5500
Binário máximo (Nm/rpm): 360/3000-5000
Distribuição: 2 v.e.c., 16 válvulas
Alimentação: injeção eletrónica multiponto
Sobrealimentação: turbo + intercooler

TRANSMISSÃO
Tração: dianteira c/ diferencial autoblocante + ESP
Caixa de velocidades: manual de 6+ma

DIREÇÃO
Tipo: cremalheira
Assistência: sim (elétrica variável)
Diâmetro de viragem (m): 11,05

TRAVÕES
Dianteiros (ø mm): discos ventilados (340)
Traseiros (ø mm): discos maciços (290)
ABS: sim, com EBD+BAS

SUSPENSÕES
Dianteira: McPherson com triângulos inferiores
Traseira: eixo semi-rígido
Barra estabilizadora frente/trás: sim/não

PERFORMANCES ANUNCIADAS
Velocidade máxima (km/h): 255
0-100 km/h (s): 6,0
Consumos (l/100 km) Extra-urbano/Combinado/Urbano: 6,2/7,5/9,8
Emissões de CO2 (g/km): 174
Nível de emissões: Euro 5

DIMENSÕES, PESO E CAPACIDADES
Cx: 0,34
Comprimento/largura/altura (mm): 4299/1848/1435
Distância entre eixos (mm): 2636
Largura de vias frente/trás (mm): 1546/1547
Capacidade do depósito (l): 60
Capacidade da mala (l): 344-991
Peso (kg): 1376
Relação peso/potência (kg/cv): 5,0
Jantes de série: 8 1/2Jx19”
Pneus de série: Michelin Pilot Sport Cup 2, 235/35ZR19
Pneus unidade testada: Continental ContiSportContact 5 P, 235/35ZR19 91Y XL

Imposto Único Circulação (IUC): €249,48
Preço (s/ despesas): €44 150 (unidade testada: €44 150)