"Queremos ter uma visão positiva do futuro"

Para Rui Bolas, administrador da Bolas, S.A., encontrar o necessário equilíbrio "preço/qualidade", quer ao nível do portefólio de produtos quer ao nível dos serviços prestados, especialização e know-how, é o maior desafio que se coloca aos distribuidores de equipamentos oficinais na atualidade.

Em 2015, a empresa assinalou os seus 50 anos de atividade num evento que reuniu clientes, fornecedores e colaboradores, tendo lançado uma série de iniciativas alusivas à efeméride, entre as quais uma campanha de aniversário e uma viagem de incentivo a diversas cidades europeias.

Tudo começou em 1965, ano de fundação da empresa que, a partir da sede em Évora, cobria o mercado do sul do país, tendo como cliente-alvo o utilizador final, nomeadamente os antigos Grémios da Lavoura, oficinas de reparação de veículos e máquinas agrícolas.

O foco inicial da empresa foi enriquecer o seu portefólio de produtos e pesquisar no mercado internacional marcas de reconhecida qualidade e prestígio, que oferecessem soluções para as necessidades detetadas no mercado português. Nesta fase, assinaram-se importantes acordos de representação, alguns dos quais com marcas que ainda hoje fazem parte do portefólio de produtos da empresa.

O rápido desenvolvimento do negócio e a extensão da atividade a todo o país, ditou que, em 1980, a empresa optasse por uma nova estratégia comercial: as vendas e distribuição passaram a ser feitas através de revendedores e a Bolas garantiu a representação exclusiva de um conjunto de marcas para o mercado português.

Paralelamente, iniciou-se um ambicioso projeto de expansão da atividade a todo o país, que se materializou na remodelação da sede e abertura de delegações. Primeiro, na zona norte e, mais tarde, na zona de Lisboa.
Em 1997, inaugurou-se a nova sede social em Évora, como resposta às crescentes necessidades operacionais. O espaço dispõe de uma área de armazenagem superior a 3.500 m2, com stocks centralizados, e concentra os serviços administrativos, financeiros, comercial & marketing, logística & apoio ao cliente e assistência técnica.

A internacionalização iniciou-se em 2004, tendo como alvo o mercado angolano. Hoje, a empresa eborense exporta os seus produtos para Angola, Moçambique, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe.

Como é constituída, atualmente, a Bolas a nível de recursos humanos e instalações?
Atualmente, a empresa conta com 53 colaboradores, mantém a sede em Évora e dispõe de duas delegações, uma na zona de Lisboa (Alverca) e outra no Porto (Freixieiro).

A Bolas esteve presente na expoMECÂNICA 2016 com um grande stand e muitos produtos e novidades. Que balanço faz da participação da empresa neste salão?
As feiras são uma oportunidade para promovermos as marcas que representamos diretamente junto do utilizador. Procuramos que as nossas marcas estejam presentes nos eventos mais relevantes dos diversos setores em que atuamos. Não vendendo ao cliente final, o retorno esperado tem, sobretudo, a ver com o grau de reconhecimento das marcas.

A expoMECÂNICA foi importante para promover o mobiliário de oficina RSC55 da Beta mas, também, para efetuar o lançamento da linha Beta Easy, que oferece uma excelente relação preço/qualidade num conjunto alargado de kits, malas, carros e sortidos de ferramentas.

Qual a importância na marca Beta para o negócio da empresa?
Iniciámos a colaboração com a Beta em janeiro de 2013. Tem sido uma experiência muito positiva e a marca é, obviamente, uma de topo no nosso portefólio. Por parte da Beta e da rede de revendedores, a colaboração tem sido extraordinária. Da nossa parte, envidamos todos os esforços para responder de forma eficaz em todas as vertentes: elevado investimento a nível de stock, entregas rápidas, assistência técnica e garantias, a par de um esforço promocional à altura da notoriedade que a marca tem no mercado
De acordo com o inquérito de satisfação que realizamos especificamente para a marca, os níveis de satisfação são muito elevados nos diversos indicadores avaliados.

Apresentaram na expoMECÂNICA o sistema modelar RSC 55 da Beta. Em que consiste este sistema e quais as mais-valias que traz para as oficinas?
O sistema RSC 55 é uma linha de mobiliário modular para a oficina, que permite oferecer uma solução "chave-na-mão", adequada ao espaço e necessidades de cada oficina. Dispõe de inúmeras combinações possíveis, desde carros de ferramentas, bancadas de trabalho, armários com gavetas ou portas e painéis de ferramentas suspensos, entre outros. Em termos estéticos e de organização do espaço de trabalho, trata-se de uma solução muito interessante, que vem valorizar a imagem da oficina e, simultaneamente, otimizar os processos de trabalho.

Quais são as outras marcas de equipamentos comercializados pela Bolas para as oficinas automóvel?
A Bolas posiciona-se como um fornecedor global. Por isso, dispomos de um conjunto de marcas que fornecem soluções diversificadas para oficinas auto. Nomeadamente:
Ravaglioli – elevadores, aparelhos de diagnóstico, máquinas de montar/desmontar pneus e equilibradoras.
Telwin – soldadura, carga & arranque de baterias
Fini – compressores rotativos e de parafuso
Raasm – equipamentos de lubrificação
IPC – hidrolavadoras a àgua fria e quente
Biemmedue – aspiradores, aquecedores e lavadoras
Metabo – ferramentas elétricas e pneumáticas
Pacole – ferramentas pneumáticas
Winntec – macacos, gruas e prensas hidráulicas
Asturo-Mec - pistolas de pintura e acessórios

O que têm feito na área da formação para colaboradores e clientes? Que importância tem a formação para a sua empresa?
Hoje em dia, a formação é indispensável. Os equipamentos são cada vez mais sofisticados e as atualizações sucedem-se a grande velocidade. Os nossos colaboradores têm acesso a formação nas fábricas e realizamos, anualmente, diversas ações de formação para revendedores, quer a nível técnico-comercial quer de assistência técnica propriamente dita.

Faz uma avaliação cuidada dos seus parceiros ou qualquer empresa pode ser vossa cliente?
Hoje, mais do que nunca, é importantíssimo fazer uma seleção cuidada dos nossos parceiros comerciais. O portefólio de marcas que a empresa detém e o facto de vendermos, exclusivamente, através de revendedores, exige uma seleção criteriosa em termos da idoneidade, capacidade de distribuição e serviços prestados ao cliente final. Só assim podemos assegurar uma boa imagem da marca no mercado.

Que tipo de equipamentos oficinais considera terem mais futuro?
A incorporação de tecnologia cada vez mais sofisticada nos veículos torna imprescindível o investimento das oficinas em equipamentos de diagnóstico e reparação evoluídos, que permitam identificar e solucionar a avaria de forma rápida, precisa e isenta de danos para os componentes eletrónicos mais sensíveis. A oficina de hoje tende a ter um ambiente tecnologicamente avançado e limpo, quase semelhante a uma clínica, sendo previsível uma evolução no sentido de as intervenções serem assistidas por vídeo, como já acontece nas cirurgias, por exemplo.
A preocupação com o meio ambiente é, também, importante, daí que os equipamentos de gestão, recuperação de fluidos e reciclagem sejam também imprescindíveis.
Acreditamos que os equipamentos tradicionais (ferramenta manual, pneumática, elevadores, máquinas de montar e desmontar pneus) - alguns dos quais passando a diferenciar-se através da incorporação de tecnologia que facilite o trabalho da oficina - continuarão a ter o seu (importante) mercado assegurado.

Que avaliação faz da performance da sua empresa durante o primeiro trimestre deste ano?
O primeiro trimestre do ano encerrou com crescimento, embora ligeiramente abaixo do objetivo delineado para o período em causa, que era mais ambicioso. Mas ainda temos ¾ do ano para o alcançar…

Qual foi a estratégia que delinearam para 2016?
A estratégia para o corrente ano passa, como já é habitual, pela melhoria contínua dos serviços (disponibilidade e rapidez de entrega, assistência técnica, formação, marketing & comunicação) que prestamos aos nossos clientes, e pelos quais nos procuramos diferenciar dos nossos concorrentes, por otimizar a nossa oferta em termos de portfólio de produtos e por assegurar uma cobertura eficiente do mercado, através de uma rede de distribuidores especializada e comprometida com as marcas que representamos.
Em termos de expectativas, no mercado externo (Angola e Moçambique), que representava uma fatia muito interessante das nossas vendas em 2014, depois de um dificílimo ano de 2015, o objetivo é agora de manutenção ou ligeiro incremento. No que diz respeito ao mercado nacional, nosso mercado natural e primordial, as expectativas são, claramente, de crescimento, tal como já vem acontecendo, de forma contínua, desde 2012.

Como vê o negócio da sua empresa em Portugal daqui a 5 anos?
Hoje em dia, é muito difícil fazer planos a médio e longo prazos. Acima de tudo, queremos ser competentes e capazes de rapidamente nos adaptarmos a mudanças súbitas do ambiente concorrencial, potenciadas pela globalização e pelo desenvolvimento tecnológico.
Queremos ter uma visão positiva do futuro mas estamos conscientes que o mesmo irá trazer grandes desafios. Acreditamos que, tal como no passado, saberemos enfrentá-los com mestria e que, daqui a cinco ou mais anos, continuaremos a ser uma empresa sólida, eficiente, competitiva, com ótimos parceiros comerciais, com uma excelente gama de produtos e uma importante posição no mercado de máquinas e ferramentas.

DADOS DA EMPRESA
Bolas – Máquinas e Ferramentas de Qualidade, S.A.
Rua Sebastião Mendes Bolas, 7, 7002 - 501 Évora
Telefone: 266 749 300
Email: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
Site: www.bolas.pt

CARGOS DIRETIVOS
Nome do Fundador: Sebastião Mendes Bolas
Administradores: Guilherme, Elizabete e Rui Bolas

FICHA TÉCNICA
Data da fundação: 1965
N.º de colaboradores: 53
N.° de clientes ativos: Cerca de 400
Volume de faturação em 2015: €8.000.000

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