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josesantosConsidera que existe excesso de oferta na sua zona de actividade (Região de Setúbal)?

Não direi que há excesso de oferta, porque nem todos fornecem a mesma coisa. Há por aqui uma certa complementaridade entre os vários negócios, o que é acertado. Há materiais que eu tenho e os outros não têm e às vezes eles têm coisas que eu não tenho. Eu trabalho com todos os distribuidores há 20 anos.

Qual tem sido a estratégia de diferenciação seguida pela Multipartes no mercado?

O nosso lema é qualidade e serviço. O preço acaba por ser secundário, em relação a outros factores, como a disponibilidade, por exemplo. O reparador tem o carro na oficina e não lhe interessa uma peça barata daqui a um mês. Tem que ser já. Se é uma marca original, tem que ter um preço diferente de uma marca da linha branca. Eu, pessoalmente, optei por não ter produtos que não seja de primeira qualidade. Vem cá muita gente, sem ser as oficinas, como stands de usados e taxistas, que querem material garantido, que não lhes dê problemas. Mesmo com as peças de qualidade surgem alguns problemas, quanto mais com as linhas brancas. São os carros parados, os clientes contrariados, etc. Não compensa.

Com uma peça garantida, tenho apoio pela retaguarda para resolver qualquer problema inesperado que surja. Quando o cliente insiste mesmo numa peça que eu não é tenho mando vir, mas aviso logo que não faz parte da minha gama. Noutros casos, prefiro nem vender. E não tenho perdido nada com isso, pelo contrário. Com o passar do tempo, as pessoas acabam por me dar razão.

Que tipos de clientes procuram as peças distribuídas pela Multipartes?

As oficinas houve um tempo em que não queriam que eu fizesse descontos ao balcão, para ficarem com a margem. Mas hoje em dia sabe-se tudo. As pessoas vão à internet e sacam as tabelas e divulgam-nas. O cliente do balcão hoje é uma fatia importante da facturação e é importante para estas casas. Então, faço o desconto conforme a peça, de modo a manter o negócio atractivo para mais pessoas. Há biscateiros e hoje muitas oficinas preferem que o cliente leve a peça e pague a mão-de-obra à parte. Às vezes, a oficina não tem verba para mandar comprar a peça, ou desconfia que pagando a peça o cliente não a pague depois. Assim, o problema fica resolvido logo à partida: há dinheiro para a peça e há reparação. Isto é uma nova adaptação que está a processar-se no mercado.

Tenho várias empresas de táxis que já só trabalham assim. Compram-me o material e mandam-no montar numa oficina. Eu levo o material à oficina e recebo o dinheiro da peça da empresa de táxis.

Qual é a estratégia de preços seguida pela Multipartes?

Temos que ser realistas. Se eu vendo um kit de distribuição ou de embraiagem da LuK, são peças originais. Porque é que eu tenho que fazer desconto? A oficina leva o dinheiro que quiser, porque o mercado é livre. A mim, levaram-me  € 980 numa oficina independente por mudar o óleo e mudar a distribuição e eu paguei. Se achar caro, para outra vez levo o carro ao concessionário. Tem que ser assim. Não pode ser de outra maneira, porque hoje as pessoas têm informação e sabem o que se passa no mercado.
Houve um cliente que queria desconto e eu perguntei-lhe que desconto queria. Ele ficou muito admirado e eu disse-lhe: "A minha margem ninguém ma tira, senão tenho que fechar a porta. Se você quiser 20% de desconto eu ponho mais 20% na peça, se for 30%, ponho 30%  e assim sucessivamente". Eles sabem que é assim, mas a mentalidade não deixa que eles mudem de atitude. Já tentei colocar tabelas de preços líquidos, que é o preço da fábrica mais os custos a seguir, mas eles dizem-me que deixam de gastar, se não fizer descontos. É assim que o mercado funciona e não há volta a dar.

Qual é na sua opinião a origem da falta de transparência nos negócios do pós venda automóvel?

As pessoas querem ganhar o dinheiro todo de uma vez. Já vendi aqui um volante bimassa para um Golf TDI, cujo kit completo custa um pouco menos de € 1.000. Um dia no café, soube que esse kit foi montado no carro de um cliente por quase € 2.500. É um exagero, mesmo para um dia de trabalho, que não será. É evidente que o cliente já não volta a pôr lá o carro.

Tem notado evolução nas oficinas independentes aqui da sua zona?

Há oficinas muito evoluídas, com bons equipamentos e pessoal qualificado, mas são uma percentagem mínima do total. As outras continuam como antigamente, porque não querem investir e que sabem tudo o que é preciso. Quando precisam resolver um problema mais complicado vão ter com outras oficinas mais apetrechadas.

Que tipo de apoio a Multipartes dá aos seus clientes?

Estamos a fazer formação em conjunto com os fornecedores. Temos previstas formações para este ano em embraiagens e lubrificantes. A formação tem que ser dada em conjunto com campanhas de produto, porque os fornecedores também não trabalham de graça.
Tenho meia dúzia de clientes que se interessam pela formação e querem saber todas as novidades que aparecem. A esses, eu dou-lhes todo o apoio que posso. Os outros não se interessam e só querem ir a formações para passear. Trabalham para o dia a dia e o futuro que espere...

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