
A Comissão Especializada de Fabricantes de Peças Automóvel da ACAP realizou no passado dia 3 de maio, na sede da ACAP, em Lisboa, uma reunião aberta a todas as empresas deste sector. Para além dos membros da Comissão, compareceram na reunião vários representantes de empresas Distribuidoras de Peças Automóvel, comprovando assim o grande interesse demonstrado por todos, em debater temas importantes para o futuro do sector.
Joaquim Candeias, coordenador da Comissão, começou por referir que a ACAP é a única associação empresarial que representa em Portugal a globalidade do sector automóvel, congregando cerca de 2.000 empresas associadas, distribuídas geograficamente por todo o território nacional. A Missão da ACAP está distribuída por várias áreas de importância crítica, entre as quais a defesa dos interesses do Sector junto do Governo e da Administração Pública, o diálogo com um número crescente de entidades públicas e privadas, a assessoria informativa e formativa aos Associados, bem como a dinamização e promoção do Sector junto da opinião pública.
Na ACAP existe desde sempre uma Divisão de Peças e Acessórios Independentes, a qual foi recentemente reforçada com a criação de uma Comissão Especializada de Fabricantes de Peças (em 2011.09.08). A atividade desta Divisão no seio da ACAP gira em torno de três áreas da cadeia de distribuição das peças, que são os fabricantes, grossistas e os retalhistas.
Foi criado um logo próprio e a composição dessa Divisão assenta em quatro elementos, que têm vindo a desenvolver as ações apropriadas aos fins em vista. O Plano de ações que preocupa a Divisão inclui o Mini Ber "Pós-Venda", que reúne a legislação que defende e enquadra a atividade do sector pós-venda, a Qualificação Profissional, Estudos de Mercado e finalmente Organização e Estruturação do Aftermarket.
Relativamente ao primeiro ponto do Plano de ações, esta Divisão de Peças tem acompanhado o assunto junto da Figiefa, organização na qual se encontra filiada, no sentido de conseguir obter a manutenção de legislação específica para o Sector de Pós-Venda e das orientações que traduzem a interpretação da Comissão Europeia sobre este âmbito.
Falando da Qualificação Profissional, que tem sido uma das principais preocupações desta Divisão, o objectivo é conseguir uma maior qualificação de todos os trabalhadores que exercem a sua actividade no Pós-Venda Automóvel. Em 2011, fruto de um trabalho conjunto com a Agência Nacional para a Qualificação, foi criado um módulo de formação específico "Gestão e Organização da Oficina", para responsáveis técnicos dessas oficinas. Esse módulo de formação integra o Catálogo Nacional de Qualificações.
A Divisão de Peças e Acessórios Independentes tem desenvolvido Estudos de Mercado "Rácios do Sector", no qual são apresentados dados globais da atividade de distribuição de peças e acessórios, que permitem analisar e visualizar o posicionamento de cada empresa face ao conjunto do Sector. Deste trabalho resulta:
- Análise estática de dados contabilísticos e evolução dos rácios da amostra;
- Amostra segmentada por escalões de facturação.
Referindo a Organização e Estruturação do Aftermarket é algo que a Divisão considera extremamente importante e que tem ocupado um lugar de primeiro plano nas suas preocupações. Uma das formas dos operadores conseguirem assegurar a continuidade da sua atividade, passa pelo reforço da comunicação dentro do sector e nesse sentido, a Divisão tem promovido Reuniões Sectoriais com Empresários, nas quais tem sido analisada a concorrência com a Origem e a necessidade do Pós-Venda Independente (IAM) ter maior coesão e ferramentas de atuação conjunta mais eficazes.
Campanha “Exija peças de qualidade garantida"Depois da apresentação do Plano de ações da Divisão de Peças, seguiu-se o balanço da Campanha “Exija peças de qualidade garantida”, lançada pela Comissão Especializada de Fabricantes de Peças, a qual decorreu durante o passado mês de Março.
Tratou-se de uma campanha destinada a melhorar a imagem do pós venda independente junto do consumidor final, que só se tornou possível graças ao apoio de todas as marcas que integram a Comissão.
Esta Campanha pretendeu chegar um pouco mais longe, estabelecendo a comunicação com o público em geral e com o utilizador final do veículo, dizendo claramente que pode e deve escolher onde reparar a sua viatura.
Utilizando o lema “Exija peças de qualidade garantida", pretendeu-se essencialmente divulgar os direitos do consumidor, principalmente durante o período de garantia do seu veículo, para além de contribuir para melhorar a imagem do pós venda independente.
A Campanha com as palavras de ordem "Quer, Pode e Manda!", foi dirigida a um público alvo masculino e com mais de 25 anos. Essa campanha de imprensa realizou-se através de inserções de anúncios em meios de grande divulgação, como o Jornal de Notícias, Correio da Manhã, Record e Revista do ACP. Pelo grafismo escolhido e pela mensagem contida no texto, a Comissão considerou ter conseguido atingir o público alvo que pretendia.
Para reforçar o efeito da Campanha, foram impressos 10.000 autocolantes com a mesma mensagem "Quer, Pode, Manda!", os quais estão a ser distribuídos a todos os operadores deste sector.
Com o objectivo de chegar a mais pessoas e alertar o consumidor final para a defesa efetiva e intransigente dos seus a Comissão Especializada de Fabricantes, perspectiva reforçar esta campanha, no segundo semestre do corrente ano.
Para que o impacto da segunda fase da Campanha seja ainda maior, a Comissão espera ter o apoio de mais marcas, o que irá permitir aumentar a inserção de publicidade nos meios de comunicação impressos e na rádio.
Reforçar a comunicaçãoFoi também referido que todas as iniciativas e ações realizadas pela Comissão Especializada de Fabricantes de Peças são no sentido de tornar o Aftermarket mais forte e conseguir que o bolo a dividir por todos seja maior e permita melhorar a situação de todos os operadores do mercado. Porque quando o mercado cresce, beneficiam todos os agentes da cadeia de distribuição.
O facto é que neste momento, o pós-venda independente tem maior número operadores do que a Origem, porque há mais empresas de distribuição e mais oficinas independentes, mas este sector está mais fragmentado e disperso. São na maioria dos casos pequenas empresas, com escassos recursos, impacto meramente local e tudo isso cria uma desvantagem competitiva em relação ao pós-venda, nomeadamente em termos de marketing e imagem.
No entanto, a verdade é que as oficinas autorizadas das redes de marca, apesar de terem mais visibilidade e serem mais conhecidas, também lutam com os seus problemas, como sejam os custos elevados e as normas estritas colocadas pelas marcas com quem trabalham. Neste momento, o pós-venda é vital para o equipamento de origem, porque a venda de carros novos está no pior ciclo de que há memória e isso reduz de forma muito significativa a capacidade de faturação das marcas. Praticamente todos os reparadores autorizados já são oficinas multimarca, vendem pneus, montam peças de qualidade equivalente, etc.
Apesar disso, o sector de pós venda independente continua a ter uma quota de mercado maior do que o sector de origem e portanto tem que defender aquilo que legitimamente lhe pertence, pelo seu labor e pela sua capacidade de negócio.
Perante as dificuldades, o sector pós-venda independentes não deve baixar os braços, mas analisar os factos da realidade e a partir dos dados disponíveis definir uma estratégia e agir em função dessa estratégia.
Para ultrapassar as fraquezas endémicas do sector independente, a Comissão de Peças propõe promover o reforço da comunicação, a cooperação e a organização dentro do sector.
No final da Reunião foi sugerida a criação de uma Comissão de Distribuidores de Peças Automóvel, que foi muito bem aceite pelos representantes de várias empresas distribuidoras presentes. Assim, aguarda-se para breve o aparecimento de uma nova Comissão Especializada de Distribuidores de Peças, que irá contribuir para o fortalecimento e desenvolvimento do sector pós-venda em Portugal.
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