Axalta rentabiliza negócio oficinas de colisão

Maior número de veículos reparados e redução de desperdícios. Maior lucro. A Axalta quer ser mais do que um fornecedor de tintas da Spies Hecker. Pretende valorizar o negócio das oficinas, através de um programa de gestão. O Jornal das Oficinas visitou um exemplo prático.

Da teoria à prática. A Axalta está determinada em provar o valor e a eficácia dos produtos Spies Hecker na atividade das oficinas. Deste modo, lançou o repto a vários clientes para que experimentassem, in loco, “aquilo que andamos a apresentar”, adiantou Virgílio Maia, diretor de marketing e comunicação da Axalta Coating Systems Portugal, ciente da “enorme competitividade” de que são alvo as oficinas, atualmente.

O desafio foi aceite pela Morgado & Amaro, concessionária das marcas Seat e Hyundai, no Feijó. Sem meias tintas. O Jornal das Oficinas marcou presença nesta iniciativa, que visa a “reformulação dos processos e seleção de produtos Spies Hecker que melhor se adequem ao perfil de atividade, com vista à criação de maior produtividade e mais lucro”, conforme explicou João Calha, key account manager da Axalta Coating Systems Portugal. O objetivo, acrescentou, é revelar a forma como a empresa encara o “futuro do negócio da repintura automóvel”.


IMG 8816Gerir para lucrar
Para que não houvesse lugar a equívocos, João Calha frisou a primeira premissa do projeto: “Melhorar as áreas com influência no lucro da oficina”. Ou seja, “o material de pintura deve ser um meio para atingir um fim”, disse. E acrescentou, de seguida, com humor: “As oficinas não querem pintar automóveis. Querem ganhar dinheiro a pintá-los. O nosso objetivo é ajudá-los”.

No fundo, aquilo que a empresa fornecedora de tintas propõe são, nada mais nada menos, do que ferramentas de gestão para evitar gorduras e perdas de tempo desnecessárias à atividade. Importa, desde logo, impedir o “afunilamento” dos veículos no serviço, um dos principais handicaps na área da colisão. De resto, o peso dos materiais de repintura também pode fazer a diferença. “Têm de ser devidamente selecionados”, realçou João Calha.

IMG 8829Redefinir processos
A redefinição do layout e dos processos é um dos primeiros passos. Com o apoio da Axalta, a oficina beneficiará com o uso de toda a capacidade do software de gestão da cor “Phoenix”: gestão de stocks, folha de obra e módulo KPI. Com base neste programa, os produtos serão ajustados em função do tipo e em função de trabalho e dos meios disponíveis para o efeito. A introdução do KPI permite, assim, gerir e controlar o consumo de combustível por veículo, o tempo de ocupação de cabine por modelo e as horas disponíveis por veículo, bem como aquelas que foram trabalhadas, efetivamente, por cada uma das viaturas.
Os resultados obtidos são mensuráveis, segundo João Calha. Em matéria de redução do consumo de combustível, “ronda os 50% (consumo de gás por ano)”, o “aumento da eficiência produtiva é de 10%” e o “número das viaturas reparadas é, também, superior a 10%”.

IMG 8850Oficina-modelo rendida
José Castro, responsável da Morgado & Amaro, “oficina-modelo” que abraçou o projeto da Axalta, não tem dúvidas da mais-valia que este processo trouxe para o negócio da casa. Conforme confessou antes de aderir a este programa, há apenas quatro meses, ponderou, inclusivamente, encerrar a área de colisão. “Não estava a compensar”, recordou. “Em um ou dois meses de trabalho conjunto, comecei logo a ver as diferenças, sobretudo, em termos de consumo de combustível, que caiu para cerca de 50%”, afirmou.
Para aferir a valorização do negócio da oficina, bastará referir que a capacidade desta área aumentou ao ponto de conseguir realizar serviços em mais 10 a 11% de veículos. “Conseguimos trabalhar muito mais automóveis durante o mesmo período de tempo”, acrescentou José Castro, admitindo ainda que, graças a esta otimização dos mecanismos de trabalho, pela primeira vez na história da empresa, os colaboradores desta área começaram a receber prémios de produtividade.