"O grande desafio prende-se com a rentabilidade"

Distinguida este ano, mais uma vez na sua história, com o estatuto de PME Excelência, a AleCarPeças afirma-se como um dos grandes players da distribuição de peças auto em Portugal. Para o gerente, Paulo Agostinho, esta distinção mostra, essencialmente, que o caminho traçado é o correto e significa, também, que a gestão da direção é acertada.

A AleCarPeças tem acrescentado novas marcas ao seu portefólio de produtos. Qual o objetivo desta estratégia?
O grande objetivo é garantir uma oferta mais ampla de produtos, nunca comprometendo o nível de qualidade que defendemos de forma intransigente.

Está previsto o lançamento de novas marcas e/ou gamas de produtos ainda este ano?
Está em estudo a entrada de alguns produtos e marcas, que, muito em breve, vão fazer parte da nossa oferta, sendo o princípio o mesmo: qualidade e maior oferta. Muito brevemente, teremos novidades.

Quais as principais funcionalidades da vossa plataforma B2B e qual tem sido a sua aceitação por parte dos clientes?
A aceitação tem sido muito boa, bem como a sua utilização. Em traços gerais, o cliente tem a possibilidade de trabalhar a sua área de compras e ter informação financeira na plataforma. Uma das grandes valências da plataforma é a disponibilização de dados técnicos baseados no TecDoc.

No ano passado participaram no Salão MECÂNICA, em Lisboa. Quais os objetivos da vossa participação e que balanço faz desta iniciativa?
Foi uma participação extremamente positiva. Tivemos a possibilidade de chegar a muitos parceiros de negócio num curto espaço de tempo, onde obtivemos feedback muito positivo do mercado. Foi, também, uma excelente oportunidade de comemorar o 35.° Aniversário da empresa.

Têm realizado ações de formação para os vossos clientes de oficinas?
Temos levado a cabo algumas ações em produtos mais técnicos, como embraiagens, turbos e sistemas de travagem. Temos a noção que estas ações são cada vez mais importantes para as oficinas, que, sem elas, ficam com a "vida mais complicada" e sentimos que têm a noção desta realidade. Iremos reforçar esta vertente.

Que tendências se observam, hoje, na distribuição de peças em Portugal?
Por um lado, a tentativa de alguma concentração por parte do retalho, com o aparecimento de alguns grupos de retalhistas. Por outro, a tomada de posição dos grossistas com redes próprias de retalho.

De que modo as novas estratégias de distribuição de peças das marcas estão a influenciar o aftermarket?
Alguma influência estão a ter, pois são concorrentes com capacidade técnica e financeira para puderem ter sucesso no aftermarket. Vamos acompanhar estes concorrentes, da mesma forma que acompanhamos todos os outros que operam com sucesso no mercado.

Que papel os distribuidores de peças devem desempenhar como parceiros de negócio das oficinas?
Devem (ou deveriam) ser parceiros técnicos e comerciais das oficinas na vertente de desenvolvimento e apoio a essa função que a oficina independente deverá ter. É imperativo garantir essas valências aos clientes oficinais independentes para que tenham "armas" suficientes para lutar de igual para igual com redes oficinais bem estruturadas.

A entrega de peças na hora é, hoje, uma exigência das oficinas. Esta tendência vai manter-se?
Não só vai manter-se como vai acentuar-se. Pelo menos, é esta a realidade que vamos observando numa parte relevante dos players deste mercado. A curto prazo, não vemos forma de garantir redução de custos nesta vertente.

Que desafios se colocam à distribuição de peças em Portugal?
O grande desafio prende-se com a rentabilidade. Temos assistido a uma progressiva erosão da rentabilidade, mesmo numa fase de crescimento do mercado. Veremos o que sucederá quando mercado não garantir o ritmo de crescimento atual.

Qual será o futuro modelo de negócio da distribuição de peças com o aparecimento da conectividade e mobilidade partilhada?
Julgo que, em termos práticos, ainda ninguém tem a perfeita visão desse modelo. Todos temos ideias, suspeitas e receios mas, de facto, não é de todo claro o seu formato final. O que é claro é que enquanto existirem viaturas a circular, qualquer que seja o seu tipo, haverá necessidade de serviço. Apoiados em parceiros que, hoje, estão no centro do desenvolvimento desses veículos e de soluções de mobilidade, estaremos mais próximos de poder ter sucesso.

Está confiante que 2018 vai ser um bom ano de vendas para a AleCarPeças?
Se os próximos meses confirmarem o arranque do ano, teremos um 2018 bastante positivo.