ARAN reage a declarações polémicas do Ministro do Ambiente

A Associação Nacional do Ramo Automóvel, em comunicado enviado, reage à afirmação do Ministro do Ambiente, de que “até 2030, um terço dos automóveis ligeiros que circulam em Portugal serão elétricos”. Leia o comunicado na íntegra.

Matos Fernandes acredita que “daqui a quatro ou cinco anos um veículo elétrico custará, provavelmente, menos do que custa um veículo com motor de combustão”.

A "eletrificação" está em curso e é irreversível. No entanto, é preciso não decretar para o “degredo” os motores de combustão, com o Diesel à cabeça, cujos motores estão, hoje, mais limpos do que nunca e não podem ser “condenados” por quem não tem conhecimentos técnicos.

Em 2018, Portugal conseguiu que, na energia produzida para alimentação da nossa rede energética, 53,1% tivesse origem em energia renovável, com grande destaque para a energia hídrica: 4,2%.

Estes números são animadores, mas não é possível esquecer que são reflexo de um ano com abundância de chuva (o mesmo não se passou em 2017). Quando se fala em converter todo o nosso parque automóvel para veículos elétricos, anunciados como “emissão zero”, basta olharmos para os gráficos referentes a forma como se produz energia para perceber que estamos a ser demasiados otimistas e a criar expectativa num produto que se diz “emissão zero”.

Mas zero onde? Na utilização? Na produção? No carregamento? São questões que, obviamente, a evolução tecnológica imposta pela pressão comercial e social irá arranjar forma de criar respostas cada vez mais no sentido da expressão “zero emissões”.

Não se deve, porém, negar que os veículos "eletrificados" têm pontos positivos do ponto de vista ambiental e que a mobilidade elétrica será (e já é) um pensamento lógico. É, acima de tudo, mais uma alternativa.

Por outro lado, tratar o Diesel e os combustíveis fósseis em geral da forma como alguns querem transparecer, não é um pensamento lógico. Os motores de combustão não podem ser tratados, agora, como os únicos responsáveis das emissões resultantes da mobilidade globalizada e cada vez mais acessível.

As variadas marcas têm vindo a desenvolver e a apresentar soluções cada vez mais eficientes, como a utilização de várias tecnologias propulsoras no mesmo veículo, criando, assim, soluções adequadas a diversas utilizações.

Dizer que o motor de combustão será o “parente pobre” é, antes de mais, esquecer que há muitos utilizadores que não encontram uma resposta às suas necessidades técnicas/económicas no veículo elétrico (zero emissões).

O nosso parque automóvel está envelhecido, com os veículos a terem uma idade média de 12 anos e uma boa fatia com mais de 20 anos. Com base nestes números, parece-nos pouco credível que, a curto prazo, exista uma desvalorização.

E, numa economia como a nossa, com um poder económico baixo, que se consiga realizar uma transição para o novo “formato de veículos” de uma forma acentuada e rápida, não existindo poder/alternativa real de substituição dos veículos.

Não prevemos, por isso, que haja uma desvalorização e rejeição tão rápida e abrupta como alguns querem fazer crer.

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